quarta-feira, 15 de agosto de 2007


"Ainda bem que o Governo esteve ausente nas homenagens a Miguel Torga. O Governo não tem nada a ver com Torga. E, se pouco tem a ver connosco, nada tem a ver com a cultura. O Governo desconhece que a cultura é um dos interesses da política e que a política é uma disciplina da cultura. Embora ajam em esferas diferentes. Um político inculto possui algo de deformado. E um homem culto que se diz indiferente à política revela amolgadelas de carácter: mente porque, em rigor, defende pareceres desonrados. O Governo não se lê porque não lê. Para actuar em consonância com a ética da cultura seria necessário que pensasse culturalmente."
(...)

Baptista-Bastos, na edição de hoje do DN.
Clique aqui para ler texto completo.

(Na foto, Miguel Torga. Fonte: Biblioteca de Arganil)

2 comentários:

LopesCa disse...

Ao menos nos Blogs celebra-se o Centenário de Miguel Torga :)

Lélia disse...

Baptista-Bastos, jornalista e escritor, em seu artigo no Diário de Notícia, com um olhar agudo presenteia-nos com uma lúcida lição de cidadania que tem validade para qualquer quadrante desse mundo de Deus, inclusive aqui,na Ilha de Santa Catarina,latitude 27.
Fica-nos a certeza que o verdadeiro fazer cultural está no povo e nas vozes que dele emanam, uma ética da cultura nascida na democracia da cultura,urdida no âmago da nossa gente.
Miguel Torga e outros nomes fortes, ícones de todos os tempos ou épocas, de igual cerne e força, não têm nada a ver com os que estão por aí "posando" de defensores do nosso patrimônio cultural. Seja aí em Portugal, seja aqui no Brasil onde o bem cultural é gerido de forma "capenga".